Quais são as expectativas para o mercado financeiro em 2026 segundo o Itaú?
- Renato Amorim
- há 2 dias
- 4 min de leitura
Projeções macroeconômicas ajudam a entender juros, inflação, crédito e impactos nos investimentos

As expectativas para o mercado financeiro em 2026, segundo análises econômicas do Itaú, partem de um cenário que combina crescimento moderado da economia brasileira com desafios relevantes no campo monetário e fiscal. As projeções consideram variáveis centrais como inflação, Produto Interno Bruto (PIB), taxa básica de juros (Selic), câmbio e a evolução do crédito, além de fatores externos que seguem influenciando os mercados globais. Esse conjunto de indicadores é acompanhado por investidores para ajudar a contextualizar riscos e oportunidades em diferentes classes de ativos.
Ao analisar esse cenário, o Itaú destaca que a economia brasileira deve manter a trajetória de expansão em 2026, ainda que em ritmo contido. A leitura do banco é de que a atividade econômica tende a se beneficiar de algum grau de acomodação monetária, mas sem perder de vista um ambiente de juros ainda elevados em termos históricos. Nesse contexto, ativos ligados a grandes grupos financeiros, como ITSA4, costumam ser observados pelo mercado por refletirem de forma direta essas variáveis macroeconômicas.
Embora informativo, este conteúdo não é uma recomendação de investimento.
Projeções macroeconômicas do Itaú para 2026
As projeções do Itaú para 2026 apontam para um crescimento do PIB brasileiro moderado, sustentado principalmente pelo consumo das famílias e por investimentos ainda seletivos. A expectativa é de que o avanço da atividade econômica ocorra de forma mais equilibrada do que em ciclos anteriores, sem grandes estímulos fiscais ou monetários.
O banco também considera que a política econômica seguirá desempenhando papel relevante na condução desse cenário. Questões relacionadas à disciplina fiscal, à trajetória da dívida pública e à previsibilidade das regras econômicas permanecem no radar dos analistas. Esses fatores tendem a influenciar a confiança de investidores, a formação de preços dos ativos e o comportamento do mercado financeiro.
Expectativas para juros, inflação e câmbio
No campo monetário, o Itaú projeta que a taxa Selic deve permanecer acima da média histórica em 2026, ainda que exista espaço para ajustes graduais, condicionados à evolução da inflação. A leitura é de que o processo de desinflação ocorre progressivamente, mas exige cautela do Banco Central, especialmente diante de incertezas no cenário internacional.
A inflação tende a mostrar comportamento mais controlado em comparação a períodos recentes, embora continue sensível a fatores como preços administrados, custos de serviços e variações cambiais. O câmbio aparece como variável-chave nesse contexto, influenciado pelo diferencial de juros, pelo fluxo de capitais e pelo ambiente externo. Oscilações no dólar podem afetar até a inflação e o desempenho de empresas exportadoras e importadoras.
Impactos do cenário macroeconômico nas classes de ativos
As condições macroeconômicas projetadas pelo Itaú para 2026 têm implicações sobre o desempenho das diferentes classes de ativos. Em renda fixa, juros elevados tendem a sustentar retornos mais atrativos em títulos pós-fixados e indexados à inflação, ainda que a volatilidade possa aumentar em momentos de mudança de expectativa.
No mercado de ações, o cenário exige mais seletividade. Empresas com balanços sólidos, geração consistente de caixa e baixa sensibilidade a ciclos econômicos tendem a ser mais resilientes. Setores sensíveis a juros, como consumo e construção, podem reagir de forma distinta ao ritmo de acomodação monetária, enquanto instituições financeiras costumam refletir com rapidez mudanças na dinâmica de crédito e inadimplência.
Como o cenário de crédito pode influenciar mercados e investimentos?
O crédito ocupa papel central nas análises do Itaú para 2026. A expectativa é de crescimento mais contido das carteiras, com maior rigor na concessão e atenção à qualidade dos ativos. Juros ainda elevados tendem a limitar a expansão do crédito, especialmente para famílias e pequenas empresas, ao mesmo tempo em que reforçam a importância da gestão de risco pelas instituições financeiras.
Esse cenário pode impactar o desempenho dos bancos e o comportamento dos consumidores e das empresas. Para os mercados, a evolução do crédito funciona como termômetro da atividade econômica e influencia decisões de investimento, valuation de empresas e percepção de risco.
Principais riscos e incertezas apontados pela análise
Apesar do cenário-base traçado pelo Itaú, a instituição ressalta que 2026 ainda deve ser marcado por incertezas. Entre os principais riscos estão eventuais choques externos, mudanças no ambiente geopolítico, desaceleração mais intensa da economia global e pressões inflacionárias inesperadas.
No plano doméstico, a condução da política fiscal, o avanço de reformas estruturais e o equilíbrio das contas públicas seguem como pontos de atenção. Qualquer alteração relevante nessas frentes pode impactar as expectativas de juros, câmbio e crescimento, refletindo diretamente nos mercados financeiros.
Como interpretar as projeções no planejamento de investimentos?
As projeções do Itaú para o mercado financeiro em 2026 devem ser vistas como instrumentos de apoio à análise, não como garantias de desempenho. Elas ajudam investidores a compreender o contexto econômico, identificar potenciais riscos e estruturar estratégias mais alinhadas ao próprio perfil e horizonte de investimento.
Considerando essas expectativas, o investidor pode avaliar de forma mais consciente a alocação entre renda fixa, renda variável e outros ativos, sempre considerando a importância da diversificação. Entender o cenário projetado contribui para decisões mais informadas, especialmente em um ambiente que combina crescimento moderado, juros elevados e maior complexidade na dinâmica dos mercados.



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